Resetando Terra Oca 2/3

O calor é energia radiante com espectro de onda de comprimento maior que a luz visível e menor que ondas de rádio. A energia térmica tem como "tendência" se distribuir de forma homogênea em um meio (é aquela coisa de entropia, entalpia e outras "pias"), e isso depende da homogeneidade do meio, da condutividade do meio e, sobretudo, da massa e volume do meio, e quanto maior a massa e volume, maior o tempo necessário para esse corpo "aquecer" ou "esfriar" (entendamos que quente e frio é uma questão de quantidade de energia calórica que "cabe" em um corpo). Em meio mais homogêneo, o calor se distribui equanimemente em todas as direções.
A Terra tem 99% da massa em temperatura superior a 500 graus e inferior a 6 mil graus. O núcleo, tanto o líquido quanto o sólido, tem uma densidade muito maior do que a crosta e o manto de magma (esta cresce em direção ao centro), assim a massa da Terra na superfície é mínima em comparação com o núcleo. Então pergunto: é possível uma bola com 40% de seu volume total na casa dos 5, 6 mil graus no núcleo, uns 2.500 graus em 40% do núcleo de fora, uns 29% com 1.000 graus e 1% com zero grau?? A crosta tem um gradiente geotérmico de aproximadamente 1 grau a cada 33 metros (li em outro lugar que era de 22,1 graus célsius por km, mais ou menos 1 grau a cada 45 metros, depende do meio material esse gradiente), com tais números, essa camada, com espessura proporcional a de uma casca de laranja (aquelas de pele fina), teria que ser a maior isolante térmica do universo, ou então a massa e volume de magma embaixo são bem pequenos e são aquecidos por fissão dos elementos submetidos a um gigantesco campo eletromagnético.
Para ilustrar o que aconteceria com os elementos no núcleo proposto e entendido como o lógico, imaginemos como um interruptor "come" luz para emiti-la no escuro. Se pesarmos o interruptor fosforescente com ele "cheio" de luz, ele estará mais "pesado" que depois de várias horas no breu "doando" luz, ele, na luz, fica "cheio", "instável" e emite radiação, luz. O que acontece em uma centrífuga de enriquecimento de urânio é o seguinte: cozinha-se a rocha moida que tem urânio, com o cozimento, essa rocha vira vapor. Esse vapor, que é uma salada de gases, é girado e, pela força centrífuga, o urânio, mais pesado, é separado dos outros elementos, é o que fica mais colado na parede da centrífuga, e depois é só colocar mais urânio gasoso que vai se acumulando cada vez mais. E isso acontecendo em instância totalmente "urânia" faz com que se separe o U 235 do U 238 e outros "Us", dessa forma, separando pelo peso, consegue-se uma boa quantidade em uma "peça" só de U 235, que é o bom para fazer bombas.
Agora, pensando que o núcleo faz as vezes de uma "centrípeta" fica claro que a Terra seria uma megaogiva nuclear, e eu acho que não é esse o caso.

Os elementos têm temperaturas diferentes para cada estado da matéria, e isso independe da densidade. Por exemplo, o mercúrio (-38,84ºC para fusão, e 356ºC para ebulição) está, na tabela periódica, ao lado (o mercúrio pesa mais que o ouro) do ouro (1063ºC para fusão, e 2970ºC para ebulição), que tem temperaturas de fusão e ebulição semelhantes à do ferro (1535ºC e 3000ºC). Assim, o mercúrio é um elemento muito pesado, mas volátil, e tenderá a se separar do núcleo pois vai vaporizar, devendo se acumular em uma camada "mercurial", ou então fará uma ligação com um ou mais elementos que lhe deem mais peso ou menos. Como existem elementos mais leves que o mercúrio, mas com temperatura de evaporação muito mais alta, como o ferro por exemplo, eles teriam que fazer ou uma ligação (se possível) ou então teriam que se estratificar de acordo com seus pesos e temperaturas. E isso ocorreria de forma mais esdrúxula ainda se imaginarmos o caso do radônio, pois é um gás pesadíssimo (em estado sólido é mais pesado que ouro, chumbo, mercúrio e outros), só que sua temperatura de fusão e evaporação são muito baixas e isso faz com que possa subir até uma altura considerável, mas por ser gás nobre, não se misturaria, ficaria bem estratificado. Isso criaria um "efeito cebola" nessas camadas de elementos diferentes, ou seja, todos os elementos e compostos teriam que estar estratificados intercalando sólidos, líquidos e gasosos, tal e qual uma destilação fracionada, pois a proposta é essa em essência.
Logo a proposta de uma Terra com núcleo derretente de quente é ilógica, já estaríamos torrados por conta da massa quente (99% do volume total sólido ou líquido está a uns 3.000º em média ), que já teria derretido a superfície há muito tempo, aliás, nunca teria ficado sólida!!!
O que conta é o volume e massa da camada isolante e a massa da camada quente, e a diferença de temperatura entre ambas. A grosso modo, se pegarmos dois corpos de massa idêntica e um com mil graus e outro com zero grau, a temperatura média teóricamente seria 500 graus, não é bem assim, mas serve para entender. Agora, se imaginarmos que 99% do volume da Terra está quente e é mais denso ("cabe mais calor" que um menos denso) que a crosta, com 1% do volume e mais "suflair" (cito o suflair porque por ser um chocolate menos denso, com mais ar, ele derrete entre os dedos ou na boca quase que instantaneamente e, por conta disso, provoca uma overdose de sabor, mas não é inteligente, pois é pagar mais por mais ar! O mesmo acontece entre picolés e sorvetes, onde o segundo é aerado e por isso tem "o vapor saborizante" mais forte, novamente overdose de sabor por conta da "volatilidade"), fica muito difícil engolir essa história de Terra sólida com núcleo borbulhante de lava. Isso sem contar a "sensação térmica" que ocorre nos encontros de fluidos em diferentes velocidades, viscosidades e temperaturas (é a relação entre o suflair e a língua que derrete muito mais rápido ainda o chocolate), e tal atrito com certeza gera calor para nenhum Hades botar defeito, logo, a crosta estaria volatizando e não a zero grau!!

Fica evidente que essa mentira é tão estapafúrdia que acabamos por sequer pensar no assunto! Quando me indaguei sobre a questão, quando li o livro (ou seja, sequer consegui descobrir o "erro" pelo meu livre pensar!) Terra Oca do Raymond Bernard, me vi como um verdadeiro "fã de BBB" de tão burro que eu me senti! Ficou ecoando na "cavidade oca" de meu crânio aquele som indelével, buuuuurrrrrrooooooooo!, isso sem parar durante semanas!
É muita estupidez para "aprendermos" nas escolas!!
A religiência tem se mostrado a mais burra das religiões!

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