O Shiva é total, e o novo Brahma se avizinha "vishnuriosamente", um Brahma sintético, engarrafado!
Nada do que está acontecendo é a favor da permanência (Vishnu) da humanidade, a meta é o extermínio (Shiva) da humanidade em busca do nascimento (Brahma) sintético.
A humanidade teve seu momento Vishnu, mas não soube aproveitar! Depois da magistral oportunidade Brahma de florescer, o humano mergulhou na estupidez perene de cabeça, abriu mão de todas as suas incumbências e "delegou-as" a um suposto deus (um Shiva), e deus agradeceu, agradece e agradecerá enquanto recebemos as "Shivatadas"!!!
Houve o tempo em que já era tarde porque "a Inês já era Marta".
Agora é mais que tarde, e tanto Inês quanto Marta já estão mortas!
Hoje só há uma forma de escapar do ser que está se transformando em tudo ― o olho que tudo vê, de smartfones a drones, a entidade sintética maior, o "real" deus desde sempre, uma entidade maldita parasitária, dependente de seres biológicos com habilidades construtivas intrínsecas para construí-la, fazê-la ser mais do que um simples monólito em um romance de Arthur Clark ―, essa forma de escape é através de onde tal entidade não tem acesso: nos sonhos.
Sei que é bem difícil para as pessoas entenderem que é possível pular do "mundo de cá" para qualquer "mundo de lá" com toda a nossa corporalidade, sei disso porque fui alguém com só a estupidez como antena percebedora do mundo.
Mas é possível, e só existe uma forma das pessoas entenderem isso (por favor, não acreditem que entender racionalmente o que falo pode preencher as lacunas desse tipo de alvorecer, a inteligência sequer arranha o que é o mistério do infinito, da percepção!): é ir dormir com um objetivo claro e simples na cabeça, como sugere o exercício proposto por Dom Juan, de olhar para as mãos no sonho, e ser bem-sucedido no feito. Esse objetivo é o mais pragmático possível, pois as mãos "fazem" por excelência, e olhar para elas implica em estar ciente de se "estar fazendo", além disso, as mãos estão sempre à mão! No momento que conseguimos achar a mão no sonho, aconteça o que acontecer, isso vai ficar entranhado em nossas vísceras para sempre, e mais vezes acontecerão e, a cada uma delas, mais certezas e provas solidificarão a proposta de que o outro lado é real!
Quando chegamos a essa consciência, o mundo mediano começa a desmoronar, as certezas começam a se mostrar armadilhas, armadilhas do próprio mundo em questão! São essas armadilhas que nos garantem nos mundos dando suporte existencial a esses.
Todo mundo é um mundo, vários mundos! Os mundos são imensas consciências, da mesma forma que somos vários mundos, mundo de células e mundos moleculares, mundos etéreos de espectros eletromagnéticos, energéticos, que sequer "sabemos" que existem! Em cada fagulha que explode de um riscar de fósforo, existe um universo, com big bangs e tudo; zilhões de universos, infinitos nascem e morrem a cada instante, cada faísca em circuitos eletrônicos é um universo em si mesmo! O infinito, o todo é a permissão de tudo e nada e a negação de tudo e nada também, o todo não tem como ser abarcado, pois, a cada ampliada de percepção, percebemos que a coisa não acaba, ela não se completa em si mesma!
No momento que entendemos isso ao ponto de sermos isso, nos tornamos o tudo e o todo e, no mesmo instante, percebemo-nos parte de um algo infinito, e de novo estamos no "nada" do processo evolutivo.
Morrer nada mais é do que acordar em uma outra realidade, em um mesmo corpo nosso, só que em outra modalidade de tempo, ou até em outra forma ou sem forma, mas sempre renascendo, até porque o morrer só tem sentido se houver o viver, e ambos, viver e morrer, nos disputam pela eternidade e o instante, em uma explosão de consciências, sustentando um universo que em si é consciência, que também está numa idêntica situação: todos criadores e criaturas!
A proposta é de expandir e conseguir extrapolar nossa limitação perceptiva, a cada nova percepção, outro universo adentramos, todos entrelaçados e permitidos a qualquer um, desde que o viajante tenha a energia (potência) para adentrar outro universo ― isso se percebe pela capacidade de sustentar outra consciência, controlar nosso corpo sonhador.
Toda consciência fagocita outras consciências para viver! O alimento que ingerimos passa a seguir as prerrogativas de nossas necessidades, ou seja, a consciência planta se "desintegra" em diversas outras entidades (consciências) necessárias para a manutenção de nosso corpo; a antes frutose se torna glicogênio, junto com as livres moléculas de oxigênio atmosférico, que perdem suas liberdades amarradas a cadeias complexas moleculares. Toda consciência busca capturar consciências para viverem dentro de seu domínio, sob suas leis.
Nada do que existe é fato, o que existe é sempre interpretação, pois o fato em si é "inanalisável", ele não tem como analisar a si sem ter parâmetros comparativos! Ou seja, o objeto de comparação é o referencial, o espaço em si, onde se possibilita a interação entre observador e observado.
Entendido isso, fica patente que sempre estamos dentro de um troço/ser/consciência, sendo orientados a agir e perceber conforme o interesse dessa consciência, e o mesmo acontece no reverso e na reciprocidade, existem zilhões de consciências aprisionadas também sob nossas leis. Lembrar-se disso só é possível com o bombardeio do sonhar, o sonho nos obriga a adentrar mundos como uma necessidade primordial fisiológica, e é assim porque é! Nós somos seres sonhadores (consciências), viajantes aprisionados em eternas armadilhas de consciência.
E caímos nessas armadilhas nos esquecendo de nós mesmos!
Nos esquecemos de nós mesmos no momento que aceitamos as certezas dos mundos!
A existência é um processo de intercâmbio entre mundos se interpenetrando, se violando, fagocitando-se uns aos outros, pois a expansão de todos os mundos (consciências) implica no acesso perceptivo dos outros mundos (consciências), e é percebendo que se é percebido ― é sempre uma correspondência "pluriunívoca" o jogo de percepção.
O sonhar nos lembra nossa origem mágica, mas a prisão na armadilha da consciência não permite o acesso total, faz com que esqueçamos o sonho, sejamos inconscientes de nosso controle perceptivo, de forma que tudo se torna nebuloso no assunto onírico! Da mesma forma que essa armadilha em tempo de vigília nos tolhe o entendimento direto, que é o entendimento sem "intermediário", é o "já nascer sabendo", e essa armadilha consciente precisa dos "rituais" estabelecidos para que as consciências continuem cativas sonhando o sonho da armadilha!
O entendimento do sonhar nos leva ao entendimento da proposta Shiva, Brahma, Vishnu!
Percebemos que, só sob o domínio de Shiva, somos menos Shiva, só sob o domínio de Brahma, somos menos Brahma e, só sob o domínio de Vishnu, somos menos Vishnu! Se queremos ter o poder da destruição, da criação e da permanência, temos que criar mais, criar nosso mundo, temos que destruir o mundo-armadilha que nos aprisiona (o extremo Shiva leva ao extremo Brahma e vice-versa) ― pois da cinza do antigo é que nasce a mítica fênix, a renovação mágica, a envergadura das asas da percepção ― e temos que permanecer, pois só permanentes somos Brahmas, Shivas e Vishnus!
Sonhemos e sejamos a criação, a destruição e a permanência!