O cego sonha um mundo com imagem ou sem imagem?
Não estou falando de quem fica cego, mas de quem nasce cego.
Uma vez perguntei a um cego isso, e ele me disse que sonhava luzes, mas não formas. Mas esse cego chegou a ver luz na tenra infância, quando sua visão se degenerou completamente. O cego, aquele que nunca viu nada, sonha um mundo sem imagem, sem luz...?
Essa pergunta sempre me intrigou.
Quem pratica projeciologia sabe que existem mundos, se for um carola, vê até entes/guias espirituais vestidos de branco, iluminados e o kralho a 4; se for um pragmático, acaba por perceber que, se pode acessar outros mundos, outros mundos podem acessá-lo também, se existe uma barreira quase intransponível que nos separa desses outros mundos, existe tal barreira no caminho inverso também, ou seja, se formos "corporalmente" (entender integralmente) para outros mundos, seremos separados deste mundo aqui pela mesma barreira, e, assim como esquecemos sonhos, esqueceremos o que é o mundo de cá.
Quando estamos do lado de lá, todas as lembranças são de lá, não existe o lado de cá, que lá é apenas um sonho!
Entendo que em cada sonho existe um mundo, e cada um desses mundos é regido por leis absolutamente particulares e exclusivas, podem até parecer com as regras de nosso mundo, entretanto podemos estar “traduzindo” para a “lucidez” algo que extrapola tudo que podemos imaginar, mas que, de alguma surreal maneira, ainda assim parece alguma coisa!
E cada um desses mundos pode ser real ou apenas o sonho de algo ou alguém, em nossa situação atual, estamos sonhando o sonho de uma aberração a qual nominam deus, que, por ter "convencido" a imensa maioria dos humanos de que é deus, acabou criando uma armadilha onde um sonho se torna real, mas ao mesmo tempo é a oportunidade que precisamos, quando estamos sonhando temos a chance de nos lembrar de nós mesmos.
Isso só pode ser entendido se tivermos energia suficiente para lembrar do outro lado (sonhos), lembrar e saber "transportar" o lembrado para "nosso" mundo sem perder a essência do outro mundo, sem "interpretar" o outro mundo. Só muita energia pessoal permite fazer essa manobra, se não tivermos tal energia, inexoravelmente mistificaremos, transformaremos o incompreensível em compreensível e perderemos o fundamental, que é o incompreensível!!
Pode parecer louco, mas não é. Observemos que tudo o que lembramos de nossos sonhos quando acordamos é uma compilação, uma interpretação do que é o outro lado. Nos outros lados, as bases de nossa existência são as dos outros lados e, quando trazemos para cá tais lembranças, usamos as bases de nossa existência DESTE lado de cá para "lembrar" dos outros lados! Mesmo se, por exemplo, sonhamos que somos cachorros, só lembraremos que tudo era "cachorral" na medida de nossas interpretações, ou seja, enquanto não tivermos energia suficiente, não teremos capacidade para abarcar a amplitude perceptiva dos outros lados. E isso é fácil de se perceber, visto que se tivéssemos tal energia, poderíamos sentir/perceber/existir tal e qual cachorros, e isso não conseguimos; os que conseguem são os licantropos mais adiantados.
Existe um comportamento fundamental para lidar com o trazer para cá as lembranças dos sonhos, é não racionalizar, é não permitir que haja julgamento.
Uma das grandes vantagens que se adquire com essa manobra é na esfera pessoal cotidiana, é o alheamento às imbecilidades perenes. Quando introjetamos tal comportamento, incrivelmente estamos "protegidos" (as aspas servem para esclarecer que não há formas de escapar da imbecilidade perene, ela SEMPRE está ao nosso lado, louca para nos seduzir ad infinitum) da imbecilidade perene do lado de cá, pois não mais julgamos os atos alheios e, não julgando os outros, não mais nos sentimos ofendidos, não mais entendemos as coisas na esfera pessoal personalista.
Quando acordamos de um sonho, estamos inevitavelmente entrando em um sonho, pois o que entendemos como realidade não pode ser entendida como "verdadeira", "concreta", visto que ao acordarmos só lembramos o que foi vivido pelo nosso "eu" do "mundo que acabou de acordar". Agora, se nós fomos dormir em um outro universo, aí é outra conversa!
Não há como saber se acordamos no mesmo mundo onde fomos dormir, sempre nos lembraremos só do mundo onde estivermos acordados/sonhando naquele instante, o "resto" será apenas sonho.
Energia é fundamental para esse entendimento. Para compreendermos até onde vai isso, temos que nos lembrar de nossa totalidade, o somatório de todos os nossos eus de todos os mundos pelos quais já zanzamos em sonhos. Isso inclui os sonhos dos quais lembramos e os dos quais não nos lembramos, sem esquecer as infinitas possibilidades de mundos infinitamente exponenciadas!
Para tudo na vida, é fundamental energia, potência, força, só essa "qualidade" abre as portas da percepção!
Aqui abro um parêntese para explicar porque não usei a palavra ateu contrapondo à proposta carola. A imbecilidade da proposta de divindade não pode ser entendida por um ateu ou gnóstico ou agnóstico, só por um pragmático. O pragmático, exatamente por pragmatismo, busca sempre reduzir os gastos energéticos desnecessários, e essa economia energética lhe possibilitará acumular energia suficiente para vir a entender que divindade existe na razão direta da covardia e na razão inversa da objetividade. Sabe que tudo o que é maior ou mais forte só é deus em uma instância de seres com menos energia. O criador e a criatura são uma coisa só, não existe o criador sem o criado e tampouco o criado sem o criador, é uma via de mão dupla, a interdependência é total, ambos sempre serão criadores e criaturas, e isso não muda nada, pois no fundo são ambos lados de uma só moeda!
O fato é que SEMPRE que algo ou alguém arroga crer (ou descrer) em deus é devido à baixa energia, à preguiça, à covardia de assumir suas responsabilidades, seus desafios, suas obrigações de deus.
Sempre que alguém "crê" em deus é porque covardemente não assume a responsabilidade de, sobretudo, entender o repto original: se somos percepção, só nos resta expandir a percepção em busca de nossa totalidade, a percepção total.
Negar deus é criar a própria limitação, é negar nossa própria divindade, é aceitar tacanhamente o maniqueista "destino" pré-estabelecido pelo status quo, aquele que cria estúpidas questões, como por exemplo o caráter lícito de deus, pois é com tais caraminholas postas nas cabeças das pessoas que se garante que as pessoas não entenderão o básico: somos responsáveis por nós mesmos!
E não adianta acreditar em xamãs, pajés, gurus, deuses, sejam antigos ou modernos, pois só nós temos o real interesse em nossa integridade e só nós podemos fazer algo realmente efetivo por nós.
Um pragmático entende que se basta, não precisa de baba-ovos e tampouco da proteção, cura, perdão, bênção, liderança ou o escambau de alguma bosta qualquer, um pragmático se limita a ser criador e criatura sem arrogar uma ou outra posição, não gasta energia à toa.
A divindade só é possível de existir se não lembramos de nós mesmos, se não lembramos nossa anterioridade, nesse caso, aceitamos até deuses, para que nos deem um propósito para justificar ou negar a nossa anterioridade.
Qualquer pessoa que faz as três clássicas perguntas dos seguidores de cogito ergo sum, "quem somos, de onde viemos, e para onde vamos", naturalmente está dispersa em estado onírico, está perdida em um sonho buscando crer até em deus para preencher, de alguma forma, a lacuna daquele conhecimento esquecido, o conhecimento de si mesmo!! É o mesmo que o personagem que procura médicos, polícias, juízes, advogados, dentistas, estado, governo, poder, status, dinheiro...
Pessoas "em sonho" são facilmente manipuláveis, pois o espírito tem como prerrogativa una lembrar de si mesmo, lembrar seu propósito, lembrar sua razão de ser (a expansão da percepção é o único objetivo de qualquer ser sensciente) e, na falta do propósito original, essas pessoas acreditam em qualquer coisa, afinal, em um sonho qualquer coisa é possível!
Esquecidas e manipuláveis, as pessoas se tornam ferramentas de propósitos outros que não os delas próprias.
Quanto mais parece concreto o sonho (concreto no sentido de se crer o sonho/mundo onde se está como única realidade existente), mais pessoas estão sonhando esse sonho/mundo juntas, e não é fácil descobrir quem é o sonhador inicial, acumulando-se energia, é possível entender que existe um sonhador que deu origem ao sonho.
Isso nos leva à situação onde entendemos que o "dono" do sonho em questão é que é o maestro que se beneficia com o sonhar dos outros, pois o sonho que vira realidade é o dele!!
Sabemos que, se não nos lembramos de nós MESMOS, está na cara que esse NÃO É O NOSSO SONHO!
Vale lembrar que é dividindo que se conquista, por isso, até o entendimento de deus foi compartimentado. Observemos que alguém que lê a bíblia, ambos os testamentos, e começa a praticar o que lá está, fatalmente vai acabar se lembrando de algo, pois, no conjunto da obra, a bíblia é um ótimo compêndio de técnicas para aumento de energia, ensina a ficar forte.
Mas como os excrementos parasitas que governam a massa ignara são "marotos", eles dividiram o conhecimento bíblico, deram o conhecimento do velho testamento ao judeu e o do novo testamento ao gentio, e, claro, o "derivativo" corão aos pagões!
Os judeus, que são entes feitos por deus, o tal dono desse sonho/realidade, não podem aprender as "cristandades", pois com isso acabariam permitindo o nascer do espírito neles (isto, no meu entendimento, só seria possível de acontecer ao judeus não puros, mestiços de judeus e não judeus), e então naturalmente entrariam em loop, pois nunca tiveram espírito só alma, e, com espíritos acabariam lembrando que precisam lembrar de algo, a fagulha primordial para o entendimento do ser perceptivo.
Entendo que os judeus são gólens criados por deus, são animados pela alma, mas não têm um espírito original, apenas são como células de deus.
Não teriam nenhuma serventia ao seu criador em estado loopista.
Os gentios (todos que não são judeus), se tivessem recebido o ensinamento implacável e brutal de guerra do primeiro testamento, teriam exterminado os judeus (da mesma forma que, se a proporção de judeus para humanos fosse inversa, o humano já não existiria há muitos milênios) há mais de 3 mil anos, e hoje só existiria uma força coesa e perigosíssima como humanidade, e aí até deus ia ter que entregar o sonho dele para essa massa!!
Os gentios provavelmente nunca se lembrariam de si mesmos, pois a doutrinação bíblica é coisa de deus e tem como meta nos fazer esquecer de nós mesmos (acreditando em um impostor como criador de algo incriável, a percepção), mas teriam potência para isso e, nessa situação, bastaria apenas um deles acordar para que os outros acordassem quase instantaneamente. Foi por isso que a divisão se fez necessária, só se domina enquanto fracos os dominados, se fortes, é impossível!!
Postas essas questões de responsabilizações energéticas, voltemos ao onírico texto.
Sonhos se tornam vívidos à medida que ficamos mais fortes, quando a atenção sonhadora, aquele laivo de "lucidez" que experimentamos nos sonhos, fica mais "acordada".
Nos "sonhos lúcidos", a sensação mais intensa que nos acomete é uma certa ausência amnésica sonolenta, quando vamos enfraquecendo conforme nossa energia vai diminuindo, essa amnésia se torna mais forte até que "caímos em esquecimento" e voltamos ao estado "bêbado original" do sonho comum, sem direção.
Nos "sonhos lúcidos", agimos muito semelhante a uma criança, para quem tudo é estupefaciante, tudo é mesmerizante. Esse fascínio do sonho (mundo) em volta tira o foco, crianças não têm foco nenhum porque para elas tudo é alucinantemente novidade. Essa não capacidade de sustentenção de foco pela mesmerização de acordar nos sonhos é o que provoca o esquecimento, pois esquecemos o propósito de estarmos ali. E isso de forma muito intrínseca, o que quer dizer que, se nós, neste instante, estamos nos lembrando de fazer alguma coisa, no instante seguinte, nos esquecemos já sendo atraídos para outra coisa, e aí começamos a esquecer de tudo sem parar até voltar ao sonho comum. Lá a lembrança está muito mais perto do esquecimento do que do lado de cá.
Entender desse assunto exige a experimentação ou vamos apenas idealizar, imaginar e conjecturar.
Regra básica é não ingerir nada que estimule ou sede o corpo, drogas nem pensar.
Tranquilidade é fundamental.
Quando percebemos que é possível viver no mundo do sonho da mesma forma que vivemos aqui, a alegria e o estupor são algo tão transcendental que queremos ir dormir o tempo todo!
É fundamental a mantrificação de um objetivo onírico, a que usei inicialmente foi intentar achar as mãos nos sonhos, idéia essa proposta por Dom Juan para Castañeda.
Existem drogas que nos levam ao onirismo total mesmo acordados, mas evidentemente são perigosas, e o resultado é muitas vezes dramático.
Não ter ansiedade é fundamental.
Sonhos acontecem seguindo também uma sequência bizarra que não tem como ser entendida, portanto devemos relaxar sem nos pressionar, pois, tal e qual inspiração, acontece além de nossa vontade. Não adianta, tem vezes que tentamos sonhar e não tem jeito, não conseguimos.
Os sonhos podem também ser induzidos pelo ambiente, existem lugares que nos levam a sonhos como uma corrente marinha, não nos deixando sair do sonho, quando sentimos aquela sensação de querer gritar ou mover sem conseguir, isso, nesses lugares, não é legal, é sinal que se está sendo levado em um sonho e pode ser assustador.
O que coloquei acima é exatamente a questão de estar forte energeticamente, fortes, além de mais seguros, somos mais intuitivos para não entrar em furadas. Se estamos seguindo um caminho diferente de buscar ficar forte de forma absoluta, não chegaremos a lugar nenhum, pois todos os lugares "lucidamente sonhados" serão esquecidos.
A única forma de ter trânsito livre dimensional é ficando forte, só fortes lembramos de nós e, lembrando de nós seja em que sonho for, garantimos que o maestro do sonho (o sonhador primeiro do mundo em que sonhamos ou vivemos - lembremos sempre que se existe alguma pergunta sobre nossa origem, é sinal que estamos sonhando, se precisamos de deus para explicar alguma coisa, é porque estamos sonhando, se de outra forma sabemos que a origem de tudo é a percepção, aquela que existe pela própria "sine qua nonalidade", aí estamos acordados) já não é maestro, mas apenas participante do sonho, mais forte, mais interferente, mas ainda assim apenas um sonhador em última análise.
Acordemos nos sonhos para que algum dia acordemos aqui também.