Resetando o Resetando Brain 2

O resetando brain é um conjunto de ideias que partem de diferentes paradigmas para analisar situações estabelecidas. Com isso, não quero dizer o que é certo ou errado, mas dizer que existem diferentes maneiras de pensar, que muitas vezes podem resultar coisas melhores ou piores, mas, de qualquer forma, diferentes do que é estabelecido.

Entendo que a existência é um sonho coletivo onde a aglutinação do sonho é tão brutal que acaba "se materializando". Chamamos a essa materialização de realidade, mas na verdade é um sonho que, de tão poderoso, tão plural, não nos deixa sair. É como um ímã que aglutina limalha de ferro em si, e cada limalha (ser humano) vira um "mini-ímã" também, e para conseguir se soltar, o ser tem que deixar de ser ferro, aço, níquel, etc.

Sendo a consciência a única coisa que existe em tudo e em toda e qualquer circunstância, entendo que a consciência não acaba nunca - ela se desfragmenta em milhões de consciências "menores", ela se aglutina à uma consciência maior ou apenas se transforma em um outro tipo. Já a memória de uma vida não é perene, ela depende dessa vida para existir. Assim, uma consciência (que perde a vida) sem uma memória, e entendendo que a memória é uma dimensão em uma infinita quantidade de dimensões - umas dentro das outras -, se essa vida acabar no seu entendimento fisiológico, a memória se perde para sempre. E a razão é simples: imaginemos que uma consciência se percebe sem corpo, e assim não pode ver (pode ter outro sistema sensitivo, mas visão é com os olhos), não pode tocar, ouvir e por aí vai. Dessa forma, o que é que essa consciência vai compreender de seu novo sistema cognitivo? Nada, será igual ao nascer, é a mesma coisa que começar a lidar com seus sistemas sensitivos, nada bate com nada, só depois de um tempo começamos a colocar ordem na casa e começamos a entender o que são as ferramentas disponíveis e em que instâncias servem. Aprendemos a falar, a andar, a controlar esfíncteres, a escrever...

Como vemos, morrer e acordar em outra vida é uma ideia frágil, é acreditar que, em outra vida, terás os mesmos sistemas cognitivos e memórias, e, o pior, é acreditar que podemos lembrar de algo que foge aos nossos sistemas cognitivos atuais. O que fazemos, na verdade, é "traduzir", dentro de nossos sistemas sensoriais, um evento intraduzível - que é o acontecimento em si -, e se esse evento é sentido por outro ser, torna-se outro evento, apesar de ser o mesmo acontecimento.

Quando acordamos e lembramos que sonhamos, mas não temos a menor ideia do que foi o sonho, provavelmente foi uma viagem a um mundo ou dimensão que foge aos nossos sistemas sensoriais, e por isso é "esquecida" - não é esquecida, na verdade foge à lógica, e o mecanismo natural é descartar aquilo que não tem serventia fisiológica.

Na minha forma de ver, a existência é como um "suprassonho" que obedece a uma regra básica: só existe o momento, o aqui e agora. Tudo o mais, seja passado ou futuro, é apenas uma maneira de concatenar a razão, mas o que conta é a percepção, ela é o fato.

A razão constrói uma maneira de dar coerência à percepção, só isso. É uma forma de interpretar e organizar a percepção, que se utiliza dos nossos sistemas cognitivos - em tese, os cinco sentidos e a razão que os organiza - para funcionar. Mas os sistemas cognitivos são diferentes, e consequentemente todos "percebem" o mundo diferente, se os sistemas cognitivos mudam, tudo muda, inclusive o mundo em questão.

Para que entendamos isso, é importante lembrar que nada é sólido, isso é apenas uma interpretação cognitiva, é como "optamos" por nos perceber. Se tivéssemos optado por, por exemplo, enxergar em comprimento de raios X ou gama ou cósmicos, neutrinos e todo esse blá, blá, blá, nós seríamos "vazios" no nosso atual ponto de vista ótico, mas cheios de algo que só quem enxerga tais comprimentos de onda enxergaria.

O mesmo acontece com a audição, onde todo animal grande ouve e emite sons compatíveis com o "tamanho" de seus ouvidos e com suas dimensões, ou seja, animais grandes ouvem e emitem infrassons, e os pequenos, ultrassons, em tese, a coisa funciona dessa forma. Observe que um cão pequeno late agudo e um grande, grave. O morcego usa ultrassom para se entender no mundo, os elefantes conversam entre si a distâncias de centenas de quilômetros - através do infrassom -, e por aí vai.

No caso dos insetos, existem tantas variantes de cognição que posso afirmar que não temos como explicar convenientemente o comportamento de uma abelha batendo no vidro ou de insetos voando em torno de lâmpadas, apenas podemos conjecturar, pois não entendemos sequer em que comprimento de onda que pode chegar a cognição do inseto!!!

Temos que entender que insetos sequer percebem a gravidade da mesma forma que nós. Para eles, cair significa talvez um salto dimensional, pois pode-se cair de um prédio e ser levado pelo vento até uma montanha, e aí é literalmente um salto dimensional! Mas nunca a queda é vertiginosa e mortal, é outro conceito, mais próximo ao conceito de queda dentro d'água para um peixe.

Imaginemos que tivéssemos habilidade de sentir temperaturas onde até as partículas começam a parar!

O que quero mostrar é que entender cognição é entender que toda ferramenta que a própria cognição nos dá foge completamente ao que teremos que entender!! É como tentar apertar um parafuso de cabeça sextavada com uma chave de fenda!! Teremos que estar com outro sistema de cognição (o dos insetos) para entender o que é ser inseto. A distância cognitiva é muito abissal para ser mensurada, e o mais medonho é que são sistemas basicamente semelhantes, pois são do mesmo mundo!!! Imagine as possibilidades de outros mundos!

Só para ilustrar as diferenças cognitivas entre humanos e insetos, imagine uma piscina imensa de mercúrio, toque-a, tente andar nela. Não existe força que faça um ser humano afundar nela, não vai passar do fêmur, e o humano vai ser ejetado pela tensão superficial do mercúrio. Se a viscosidade do mercúrio fosse mais alta, ficaríamos presos como se o mercúrio fosse vivo e "capturasse" os humanos. É mais ou menos assim o que é a água para uma formiga por exemplo, só que "comível-bebível" ao mesmo tempo. O mercúrio é muito denso, se tentarmos, por exemplo, enfiar um dedo em um frasco de mercúrio do tamanho de um de novalgina, sentiremos a força que se tem que fazer para enfiar o dedo (faça tal experiência em um ambiente ventilado, pois mercúrio evapora na temperatura ambiente e é venenosíssimo), fica impressa a impressão digital (gordura) no mercúrio. Esse exemplo do mercúrio é legal para entender que tem material com características que fogem à nossa compreensão pelo não convívio ordinário.

Entendo também que a dureza de um material é ilusória, o que existe são diferentes tempos de respostas dos objetos, sejam gasosos, plasmáticos, líquidos ou sólidos, o que sempre existe é a diferença de tempo entre dois corpos. O que quero dizer é que se algo é duro em relação a outro corpo, um granito por exemplo, na verdade ele é temporalmente mais "pesado" pois o "seu tempo" flui mais devagar em relação ao nosso, e por isso leva mais (do nosso) tempo para ceder à pressão exercida por um dedo. Por exemplo, quando tentamos pegar o fogo, na verdade não podemos pegá-lo porque o tempo do fogo é tão rápido que ele sempre já deixou de existir quando tocamos nele, e o que sentimos como calor, nada mais é do que o envelhecimento galopante das células aquecidas (aceleradas temporalmente) pelo contato com tamanha aceleração temporal, o fogo.

Assim, entendo que o que existe é percepção em tudo e todos, pois tudo é vivo, só que em tempos tão distantes que não existe uma interação de consciência entre esses seres. Ou seja, para mim, uma pedra é inanimada (e para ela, sou tão fugaz quanto uma fagulha), e para o fogo, eu sou a pedra, só que, apesar dessa diferença temporal, tem o fato de que, na verdade, a pedra é a aglomeração de bilhões de "bichinhos", que são seus cristais e componentes; e nós somos a mesma coisa, a aglomeração de nossas células. Cada um com sua consciência e seus sistemas cognitivos e, acima disso, existe uma consciência que abarca todas em tempo, que é a Terra, essa criatura mágica que habitamos e da qual fazemos (nós, a pedra, o fogo, etc.) parte.

Portanto, fica claro que tudo o que acreditamos perceber, na verdade, é primariamente um sonho da Terra (inclusive deus), um sonho projetado/intentado por ela mesma. Não sabemos o que são estrelas, sabemos o que o conjunto de pequenos fragmentos de sonhos conscientes (ferramentas, materiais, elementos, peças e tudo o que precisamos para ver estrelas, seja com os olhos ou com instrumentos) da Terra consegue espelhar da totalidade da compreensão da Mãe Terra. Ou seja, o que vemos ou percebemos é resultado único e exclusivo da qualidade das ferramentas, que nada mais são do que partes da Terra que estão sujeitas às leis cognitivas da Terra. É o clássico contém e está contido, quem contém é o todo, e quem está contido é a parte, e a Terra contém tudo, desde nós até nossas percepções e interpretações de nossas percepções.

O que vem a ser a consciência que contém a Terra, eu não sei o que é, e acho, no mínimo, falta de respeito e naturalmente burrice, é claro, achar que alguém sabe, e ainda arrotar imbecilidades como "universo", "cordas", "wormholes", "bolhas" ou excrementices multiversianas.

Se em um mesmo meio ambiente existem diferentes dimensões temporais - e isso sem colocar em pauta o fato de que não mencionei os comprimentos de ondas que sequer sabemos que existem, que ainda agora podem ser vistos como outra dimensão -, então existem infinitos instantes idênticos de tudo, existem infinitos instantes que diferem apenas em um pentelhésimo do angstron em infinitas quantidades, existem infinitos infinitos para todo e qualquer evento possível, existem mundos para tudo e mais tudo que sequer podemos saber que existe, pois não temos os sistemas cognitivos, e como já mostrei, mesmo com os mesmos sistemas cognitivos, as diferenças são brutais. Existe tudo e algo muito maior do que o tudo que achamos que é tudo, mas que não pode ser entendido como "maior", pois maior é um conceito de grandeza, e grandeza é coisa de nossa cognição!! Como vemos, as possibilidades vão do imaginável, passam pelo inimaginável e abarcam o incognoscível.

Não existe um mundo, existem n+1 mundos!

Escrever tais ideias resetantes é interessante, pois aglutina ideias convergentes e, às vezes, até mentes divergentes podem ter ideias convergentes. Assim, o que procuro aqui é gerar substanciação, através de brainstorms, para o surgimento de um mundo melhor que, obviamente, não precisa (e não fará com) que o que existe acabe, pois o que acaba um império/mundo é a falência da proposta e não o ataque externo.

Dessa forma, o que começa a acontecer é um sonho começar a se desvanecer como se acabasse e outro entrasse da mesma forma, e assim nada de abrupto acontece, apenas o intentar de um novo mundo é o suficiente para que esse aconteça. Para isso, só precisa do que chamo ponto de ruptura, é o ponto onde aparece a "fadiga existencial". É quando a estrutura da existência, as propostas filosóficas, o modus operandi já não conseguem se sustentar, daí vem a fadiga existencial, onde se rompe definitivamente o tecido social, onde uma civilização entra em colapso.

A nossa está colapsando nesse exato momento, o tal fim do mundo já chegou há muito e já vem fazendo seus estragos, e espera-se a total ruptura por esses tempos vindouros. Logo, só o que me resta fazer é intentar um mundo mais coerente, mais baseado na lógica, no bom-senso, que no dogma.

Assim, finalizo essa resetagem lembrando que só pensamos claro quando temos a irrigação cerebral perfeita, e isso passa pelo fato de que 60% do oxigênio consumido pelo organismo é para os miolos, e 25% do ATP produzido idem. Logo, se começamos a respirar correto, a primeira coisa que acontece é emagrecer (isso os médicos não ensinam!!), pois o cérebro é o verdadeiro consumidor, é o verdadeiro glutão. Botando-se esse personagem para trabalhar, acaba-se com a obesidade física e mental (a mente e o corpo ficam flexíveis) e, de quebra, aumenta-se a capacidade perceptiva, e consequentemente a inteligencia - pois inteligência é diretamente proporcional a acuidade, diversidade e capacidade de interpretações perceptivas.

E o melhor de tudo, ficará mais fácil entender o que escrevo.

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