
Devo abrir lembrando que sou um leitor compulsivo, inclusive tentando ler línguas que desconheço, é compulsão mesmo!
Livros são até então as bases constatáveis de nosso conhecimento, são a essência da mídia, a alma da mídia, a mídia É livro, é impresso panfletário, é grafite, pixação em paredes, é exatamente esse conceito do panfleto para divulgar e imprimir idéias, é onde as idéias se tornam verdades mesmo não o sendo, pois verdade é a coisa mais individual, personalista, ímpar que existe, nada é mais singular. Ou seja, cada um tem a sua verdade, e ela é única e indivisível, da mesma forma que não é possível dois corpos existirem em um mesmo espaço/tempo ao mesmo tempo, logo, os pontos de referência são sempre individuais, e o que se percebe, percebe-se sozinho.
Quando se aceita a verdade de terceiros, deixa-se apreender a alma, deixa-se de existir, pois passa-se a viver em uma dimensão imponderável, ocupando, ao mesmo tempo, a posição do ser que nos impôs a verdade. Não podemos estar na posição desse outro ser, e não estamos. Acreditando na verdade alheia, acreditamos em nada realmente real para nós, pois nossa verdade é a única em nossa verdadeira posição tempo/espaço real e, em tal situação, tampouco conseguimos ver nossa verdade, ou seja, não existimos, somos o nada!!!
Partindo dessa lógica, caímos em um abismo, pois tudo o que percebemos é a verdade de outrem, dos pais, dos educadores, dos colegas, dos irmãos e, claro, dos livros. Ou seja, a verdade acabou se tornando algo difuso, algo em que todos dão suporte sem que concordem com ela, mas acabou virando verdade, uma verdade dita por um e aceita por todos!!!
O que aconteceu foi que uma verdade "alfa" foi estabelecida e, claro, todas as outras verdades passaram a ser mentira. Todos renunciaram às suas verdades, me pergunto o que de tão extraordinário aconteceu para fazer esse modus operandi humanus ser o vigente: um gene babuinesco, símio, tribal? Acredito que não, e essa é a razão das dissensões entre pessoas ficarem tão extremadas, serem chamadas de paixões, e que, por conta de suas paixões (verdades), os seres se põem a digladiar em todas as instâncias, e sempre com terminações dramáticas! Só lutamos até a morte por nossas verdades e nada mais!! Todos estão dispostos a se destruir e destruir tudo por uma verdade que foi dita por meia dúzia de imbecis!!! Ninguém para para pensar se aquelas que são estabelecidas, sobretudo em livros, são as verdades deles, isso é doentio!
As pessoas leem livros e acreditam nos livros por conta de afinidades, top model, por exemplo, lê pequeno príncipe por que acredita em príncipes. Só lemos o que queremos acreditar, e sempre projetamos nossos alteregos nesses livros, nessas verdades alheias.
Como a merda nunca vem sozinha, surgiu o computador, sua facilidade de divulgar verdades em pacotes digitais e pequenos, a biblioteca virou portátil, e tal biblioteca ficou livre para circular no mundo digital, e o saber, verdade, acabou ficando algo bizarro, incompreensível de tanta informação (verdades), e a maioria conflitante entre si. E as bibliotecas combatentes tiveram que, de novo, estabelecer um alfa, a biblioteca que será a verdade coletiva, e, às outras bibliotecas, sobra o anonimato, e assim de novo se configura uma série de verdades que, tudo indica, serão a verdade a ser contada para o futuro próximo.
Na internet, na forma de google, wikipedia, youtube, bing, ask, etc. e, claro, da mítica "desconhecida" "undernet", aquela net embaixo da net, aquela velha tolice dos "secretos" que todos sabem que são secretos, como maçonaria, iluminatis, bilderbergs e outras "monstruosas" congregações e blá, blá, blá..., essas verdades dos "livros" internéticos, blogs e outras livralidades digitais estão se tornando a verdade das verdades, pois, com a wikipediação das pessoas, só o que vai ser verdade ou possível serão as verdades wikipédicas, e evidentemente os donos da wikipedia só divulgam o que interessa a eles, e dessa forma doutrinam a massa. O google, com suas sugestões navegativas, está de forma subliminar induzindo a navegação das pessoas da forma que ele quer. Isso está se configurando como o conhecimento daqui para frente.
Temos que entender que, quando nossa navegação (leitura) é direcionada, ela perde função, pois só vamos captar aquilo que os outros querem. Mas, partindo desse princípio, podemos afirmar que nada do que fazemos ou conhecemos é funcional para nós, pois desde sempre fomos encaminhados em nossas leituras, em nosso conhecimento!!
O fato de agora os professores serem virtuais não muda o fato substancial, que é doutrinação total. Antes, eram os genitores, os parentes, os professores; agora, é o google, o twitter, wikipedia, sites diversos - e não sites escondidos por conta de interesses escusos (os livros proibidos da net) - e, claro, a opinião dos blogueiros. A verdade é que nada muda no processo, só o que muda é a estreiteza do conhecimento, pois, no mundo real, a maioria dos conhecimentos é partilhada na forma de experiência e, no mundo virtual, é comprovação "youtúbica"! Por conta disso, o conhecimento virtual é indefectivelmente mais tosco, mais raso, pois conclusões são consumadas sem uma auferição real.
Por outro lado, a coisa é muito mais dinâmica, ou seja, um conhecimento constatado como fake é editado, upgradeado, o que, na época dos livros, demorava uma edição, no mínimo, para acontecer. Para quem quer aprender, o youtube é, no mínimo, fantástico, pois mostra que, apesar da imbecilidade geral, existem aqueles que fazem e mostram como fazer. Isso se aplica sobretudo aos dogmas científicos, onde experiências são feitas validando ou não tais dogmas, um bom exemplo é a proposta do moto perpétuo, onde a religiência afirma que é algo impossível por conta de leis de conservação de energia, que afirmam que um sistema fechado não tem como gerar mais do que o necessário para se autogerir, pois a energia usada tem que ser igual à energia gerada. Isso é um erro crasso de análise, pois não existem sistemas fechados! Mas isso é outro assunto.
Mas serão os livros, sejam virtuais ou reais, fontes de saber real?
Os livros, apesar de míticos, de serem a "fonte do saber", não passam de papel escrito e amarrado, pois, de cada dez livros escritos, acredito que nove são a mais profunda merda! Se considerarmos todos os impressos, a proporção será de 0,01% de tudo que presta, o resto é merda da mais profunda iniquidade. Daí concluímos que, ao passar para o mundo digital essa livraria toda, acrescida das obras digitais, estamos assinando um atestado de imbecilidade para a bosteridade post mortem.
Uma imbecilidade escrita não é mais consistente do que uma falada, mas é muito mais perene, pois a palavra foge com o vento, e as folhas de livros voam no vento e se disseminam, é o contrário!
Antes de ler um livro, uma pessoa tem que raciocinar ou, de outra forma, a influência do livro será negativa, mesmo que esse seja bom. A inteligência é fundamental ao leitor, sem ela é melhor ver bbb, pois a bagagem de informação do bbb é menor, evitando o colapso de um cérebro menor.
Mas como mensurar o momento de uma leitura ser benéfica ou não?
Não existe maneira, pois o raso não tem como compreender o que é profícuo, e o pior, se ele é profícuo! E todo ser humano é raso, por isso é ser humano, e isso faz com que a maioria do nosso conhecimento seja a mais pura inutilidade.
Daí chegamos na pergunta que não quer calar: Somos parvos por que lemos as parvices alheias, ou lemos parvices alheias por que somos parvos?
É difícil responder, mas uma coisa, pelo menos, temos que ter em mente: a disposição para abrir mão da parvice, mesmo que por outra parvice, pois sendo parvos, e sendo a parvice um entrave evolutivo, teremos, nessa manobra, a chance de acabar em algum momento com conhecimento "desparvizado", e aí, quem sabe não começamos a evoluir e a adquirir conhecimento de verdade, seja em livros ou virtualmente.
Dessa forma, concluo que a grande tacada é manter o conhecimento o mais desconhecido e menos reconhecido que seja, pois, em alguma instância, tal conhecimento será reconhecido e fará a balança pender. Claro que, para isso, é fundamental inteligência, mas essa é aquela que não existe forma de adquirir, de se formar biblioteca; só o que podemos fazer é rezar para que o que acreditamos ser inteligência realmente o seja, ou, de outra forma, nunca saberemos se a temos ou não, pois, da mesma forma que o tolo não tem como perceber a sua inteligência, o inteligente também não percebe a sua tolice!
Pouca coisa sobra para avalizar o conhecimento, o reconhecimento e o desconhecimento, talvez aí resida o barato da coisa, "ser ou não ser, eis a questão"!!