Resetando loucura, psicopatologias, patologias, sanidade e lucidez

É importante observar que um dos maiores (talvez o maior) fatores para a proposição da loucura ou psicopatologia, como queira, é a não concordância com a linha de "raciocínio" pré-estabelecida.

Pensemos o seguinte: em um mundo canibal antropofágico, onde o comer os adversários é regra, e até os familiares ou conhecidos (os yanomami comem as cinzas dos antepassados como forma de mantê-los consigo), fica absolutamente louco e abominado o personagem que entende que comer os outros é uma abominação (e o pior é que "comer" de outra forma é glamourizado, sobretudo se for "homoantropofagia" - antropofagia entre seres do mesmo sexo -, ou seja, comer de forma a se nutrir é errado, e sexuar só com a parte que é dispensada nutricionalmente pelos canibais, o que está dentro das vísceras intestinais, o excremento, é algo venerado), esse personagem abominador de canibalismo vai sofrer não só o preconceito, mas também será eventualmente tido como louco e nem será devorado, pois sua carne estará contaminada no entendimento dos canibais!!!

Aqui observo que imbecilidades como doenças que só atacam os canibais, aquela que é como a tal espongiforme "cerebelidade" que atinge as vacas que comem, em vez de grama, ração à base de carne de vaca, podem ser fato, entretanto alerto para a questão de que não existe um estudo dessa espécie feito por fãs de churrasquinhos de gente, ou seja, quem fez o diagnóstico, fê-lo de forma enviesada. Não estou dizendo que está completamente errado, estou dizendo que a análise foi dirigida. Por exemplo, um "gourmeanibal" citará "n" doenças que são debeladas e mantidas afastadas, e até erradicadas, por conta da antropofagia, quem sabe ele até diga que "os canibais, por comerem cérebro, não sofrem de imbecilidade, pois ingerem alimento à base de cérebro", e aí observará: "Olhem, nossas crianças e adultos nunca ficam em frente de uma televisão, e muito menos ficam latindo para a tela assistindo 22 idiotas correndo atrás de uma bola sem construir Porra Nenhuma", e acrescentará, "nosso povo não enche o rabo de álcool, pois álcool é sabidamente nocivo para o indivíduo e para a sociedade, e como os de bêbados não têm dono, a coisa fica mais punk no mundo canibal". Ou seja, o estudo é sempre a favor de alguém ou alguma coisa, é sempre dirigido e nunca é isento.

Portanto, voltando ao tema, podemos antecipar mais ou menos aonde quero chegar: observando que loucura é a base de conduta de nossa sociedade, fica difícil aceitar que personagens estereotipados com designs freudianos ou de cientistas loucos são os "lúcidos" que estipulam a lucidez alheia!!! É mais ou menos como um juiz corrupto julgando a legalidade de algo.

Vou citar um exemplo claro de onde podemos chegar.

Aquela velha história de que "em terra de cego, quem tem olho é rei" é uma das barbaridades loucas mais abjetas que existe, pois uma pessoa que vê não tem sequer como falar para os cegos o que é enxergar ou ver cor, forma até é compreensível de forma pontual, tátil, já o impalpável continua sendo impensado. Tal personagem será entendido como louco.

E outro exemplo: um personagem, em um mundo com olhos, vê entes de outras orbes e é tido como louco, e olhem que nesse mundo já sabem o que é ver, porque todos têm olhos!!! Ou até enxergar, ouvir e sentir a linha do tempo, algo que sequer imaginamos que exista, algo fabuloso, sem sentido, é sempre tido como LOUCURA.

Mas não quer dizer que não existam essas percepções, ao contrário, o infinito, como o próprio nome já diz, é infinito, inimaginável. Toda e qualquer coisa imaginável e inimaginável é possível no infinito, inclusive o que se enquadra fora dessas duas possibilidades!!!

LOUCURA é querer impor aos outros a nossa "lucidez", isso é loucura!

Dessa forma, voltamos ao tema central sem devanear sobre o que é ser louco, pois já fica implícito que todos somos loucos.

É comum pessoas se acabarem só por conta de prazeres imediatos e dúbios, trabalharem a vida inteira destruindo uma existência como se houvesse uma outra chance.

O cara nasce e, quando está em idade reprodutiva plena, está com plena potência, é encarcerado, amarrado a uma roda (sejamos metafóricos para entender que todo emprego é mais ou menos isso, somos tratados como burro de tração, o pior é que acreditamos que não somos burros de tração, assim como os burros de tração têm a mesma crença) e aí fica girando, puxando porra nenhuma para lugar algum; e quando está esgotado e sem força vital, aí sim, está livre para ir e fazer o que quiser e bem entender! Isso, desde que siga à risca as leis ou, de outra forma, será mais uma vez encarcerado.

Mas como, via de regra, depois desse tempo, durante o qual as pessoas são seduzidas pelos tais prazeres dúbios, as pessoas acabam completamente podres, elas ficam presas de novo tentando reformar (desapodrecer) o que tinham de equipamento, só que com o equipamento cada vez mais fraco e velho (loucura, loucura, loucura...) e podre, e por conta disso passam a VIDA INTEIRA PRESAS por nunca terem parado para pensar o quão louco e podre é o sistema social no qual depositaram suas esperanças de domação da própria loucura.

Numa outra vertente, enquanto aquele "caipira", que ficou plantando o que comer, levantando as paredes da própria casa, fazendo os próprios utensílios, em suma, fazendo para ele e por ele o tempo todo, é visto como um camarada menor (não é louco, acha tudo loucura, mas todos o chamam de simplório!) - exatamente um daqueles que podem ser atropelados pelos bacanas e suas máquinas de sonho, segundo a lógica social bbbestificada -, o bacana, que precisa do poder e velocidade estonteantes de forma embriagante para apaziguar o vazio da alma, o zero do seu existir, é tido como o legal, o grande lance, é o lúcido, é o empresário de sucesso, é o exemplo a ser seguido.

Um sádico se delicia pescando e soltando suas vítimas (aqui abro um parêntese, o peixe, quando é fisgado, destrói sua mandíbula para tentar escapar do gancho - enfie um anzol para tubarão de 3 metros na boca e peça para alguém te puxar de forma bem violenta enquanto você esgota suas forças resistindo a ser arrastado para dentro d'água, e depois esse alguém deve te extrair o anzol para, então, te pendurar afogado e te puxar por um gancho na sua boca, te mantendo sem respirar pelo tempo necessário para as fotos e bravatas de frouxo; feito isso, veja o seu estado e diga se está preparado para ser solto no mundo "cruel"), matando-as de forma lenta - tal e qual quebrar a mandíbula de alguém e deixá-lo largado num campo selvagem, de preferência uma floresta com predadores bem robustos, visto que os peixes fisgados não são os topo de cadeia do lugar, pois onde existe um predador existe sempre outro maior (ou mais sádico) -, logo, os peixes benevolentemente devolvidos à água ficam "num mato sem cachorro", e quem fez essa lenta morte se configurar foi o "desportista", que precisa ficar ostentando vara de fibra de carbono pegando peixe e espada de peixe espada (pois a própria espada só funciona com cialis), porque a vara (que deveria ter fibra em vez de viagra) própria já não pega "outras" peixes, e depois vai para a churrascaria comer um salmão na grelha.

O Capiau pesca um peixe para comer, e o come, respeitando a vida que teve que tirar, e o peixe "sabe" que morreu por um predador que tinha que se alimentar, enquanto o animal que morre na mão de comerciantes, mercenários de bichos, "sabe" que sua morte foi só pelo capricho de um covarde doente fã do dinheiro e escarnecedor da vida, algo que é bem mais louco que o mais louco dos loucos, mas que em uma sociedade degenerada é chamado de empresário, fazendeiro e outras abominações, um mata por necessidade e o outro, por cobiça.

E o bacana de lanchas off shore de pesca, o matador de marlins, depois de uma vida vazia de maldades e futilidades, vai empacotar sem sequer saber qual era a questão que a quimera vida nos propõe ao nascer!! E sumirá de tudo com uma energia bem "legal", a de milhares de mortos intentando todo tipo de coisas negativas na alma que se volatiza, deixando só o ranço de energia ruim no ar. O capiau morrerá com a certeza do dever cumprido, e se faltou alguma coisa para sua compreensão da charada da quimérica vida, não foi por sua culpa ou incompetência, mas sim porque talvez, a charada, ele já a tenha respondido em vida e viu que, para essa charada, só existe uma resposta: a quimera vai devorá-lo de qualquer forma - e é melhor viver uma brava vida que se configurará em um bravo combate final e com consequente exultação ao final -, e só assim, deglutidos, é que a quimera nos deixa passar por ela.

Como vemos, a loucura e a insanidade passam a trilhômetros de distância do que se crê como louco e insano, e talvez ande muito perto do que chamamos sanidade e lucidez.

Um juiz que chega e diz que é inadimissível que alguém togado e sua família fiquem sujeitos a ameaças (o que deveria ser prerrogativa para todos, o cara alega que é para eles!!) é de uma insanidade supina. Ou seja, um personagem, só porque usa uma vestimenta patológica e é legitimado de forma "venalopatológica" por um estado latrinal, corrupto e ilegítimo, acha que é deus (imaginem esse personagem julgando, ele e a lucidez dele)!!! Santa loucura, Batman!

Cidadãos que, apesar de terem dinheiro saindo pelo rabo, ainda conseguem roubar dinheiro do povo em licitações e outras malversações, são algo bem mais nefasto que a loucura mais insana, mas tais personagens dirigem a nação e nunca são tidos como loucos!

E de novo voltamos à massa louca, que trabalha para sustentar tal estrutura, entrega a vida inteira para um troço que pode ser descrito como a insanidade em sua essência.

Um monte de loucos que, por não terem condição de domar suas próprias loucuras, se entregam na mão de um sistema louco para que esse seja as rédeas que servem para impedir o ser de enlouquecer. PQP!!!

E entregam tudo, só porque acreditam que existe uma segunda chance, existe uma vida após a morte, é como dizer "na próxima, eu consigo...". Que próxima, cara pálida?!? Vida?!? Essa, só temos certeza da que temos, e sequer sabemos quando a perderemos!! É possível algo mais incerto do que isso?

Loucura maior do que acreditar em vida após a morte???

TODO E QUALQUER ESTUDO SOBRE A MORTE SERÁ INDUBITAVELMENTE VICIADO, POIS TODOS QUEREMOS TER UMA SEGUNDA CHANCE! Logo, como podemos acreditar no que fala o tanatoestudioso? Na verdade, não acreditamos, mas sim imploramos para acreditar!! Ou seja, estudar a morte e suas consequências é descabido e louco, e o macabro de tudo isso é que quem o faz domina o mundo, a religião!!!

Por favor, alguém poderia me explicar como os píncaros da loucura, os estudiosos da vida postmorten, aquela que ninguém sabe o que é, são os norteadores de uma massa de 7 bilhões de LOUCOS?!


Depois tem gente que quando eu digo que o grande lance são os mandamentos das pedras da Geórgia (o tal stonehenge dos EUA), sobretudo o primeiro mandamento, acham que eu sou louco!

Como diria o outro: "Loucura pouca é bobagem!"

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