Resetando ecologia

Para que o tema deslanche, vou destrinchar o que entendemos como engenharia e seus diversos segmentos, sobretudo a engenharia de produção, pois só com esse material é que a ecologia será desmistificada.

TUDO o que existe e que não é da natureza é produto do homem ou, como é meio moda dizer, produto de tecnologia alienígena - que acaba sendo manufaturado por seres humanos, ou seja, é produto humano. E TUDO o que foi feito foi feito por ferramentas (sejam as próprias mãos ou outros instrumentos quaisquer), e é sobre ferramentas que vamos falar.

Ferramentas são tudo em termos de criar e produzir qualquer coisa e, dessa forma, são o início, o meio e o fim de qualquer produção.
Se buscarmos uma origem, diremos que tudo começou com um polegar preênsil, cuja ergonometria específica gerou o desenvolvimento de ferramentas. Daí entramos na questão da ferramenta em si, que é aquela que não nasceu conosco (mãos, pés, todos os órgãos), e essa é tanto o galho que usamos para subir numa árvore em busca de uma fruta, quanto a pedra no meio do rio que serve para pularmos evitando a água, passando, claro, pelo toco que usamos como alavancas simples, bengalas, bordunas e até como a peça de uma ferramenta mais elaborada. Logo, as ferramentas servem pra tudo, inclusive, o mais importante, para fazerem as ferramentas subsequentes.

Assim, para entendermos o que é a ferramenta que chamamos automóvel por exemplo, temos que pensar na sua criação e nas maneiras de produzi-lo. E temos que entender como são as ferramentas que o fazem, e como são as ferramentas que fazem as ferramentas que o fazem e como são as ferr... Ou seja, temos que entender nosso exemplo desde seu princípio, quando ferramentas foram usadas para fazer as ferramentas que deram origem ao automóvel, e nessa análise, fica claro que existem várias linhas fabris em todos os segmentos, cada qual com seus custos ecológicos. Vou citar alguns exemplos disso: as CNCs, que produzem os carros (essas têm partes mecânicas e eletrônicas e elétricas); as fundições e suas ferramentas "autofornianas" (essas também foram utilizadas para fazer as CNCs); a indústria química, que fornece os polímeros diversos (também foi usada para fazer as CNCs, e que depende da indústria petrolífera com seus agregados desecológicos); e a indústria de marketing e comercialização (que depende tanto da eletrônica de ponta, como de diversos setores, inclusive criados só por ela, com seus consequentes custos ecológicos).
Essas quatro linhas industriais representam só um esboço do leque de implicações desecológicas em todo o mundo em que vivemos.
O exemplo do automóvel é bom pela grande quantidade de indústrias agregadas, portanto, fica claro que para um automóvel nascer, existe um mundo de produções e ferramentas e insumos que tem que existir para que o carro exista. Logo, para um automóvel nascer, no mínimo, morreu a montanha que tinha o ferro e toda a vida que havia em cima dela, morreu todo o bioma concernente à produção petrolífera, e morreu todo o bioma do espaço físico da fábrica do automóvel, e isso acontece em todas as escalas da produção. Além disso, também morreram montanhas e mais montanhas para se chegar à produção das máquinas que fazem os automóveis.
Ou seja, o universo de destruição necessário para a produção do automóvel ou de qualquer produto é algo que foge, em muito, a compreensão ordinária!
Portanto, continuam morrendo montanhas para que se façam todas as coisas que usamos, desde um alfinete até um transatlântico e suas respectivas máquinas gestadoras.
TUDO, para ser feito, passa por um processo onde se destrói tudo, até para desenvolver e fabricar as máquinas para reciclar e os métodos de reciclagem!
Logo, todo e qualquer personagem que diz estar preocupado com o meio ambiente, mas consome tal e qual qualquer um, os mesmos insumos, está vivendo num contrassenso muito grande, o máximo que podemos fazer é reduzir o consumo, usar o objeto até acabar em vez de fazer upgrade, é "lamber o prato" para evitar destruir mais do que o necessário.

A opção evolutiva do homem é isso, é desecológica, e toda e qualquer proposta passará por tal desecologia, pois não existem maneiras de se ter as ferramentas que temos sem detonar o meio ambiente. E para criar novas tecnologias ecológicas, teremos que detonar mais ainda, ou seja, melhor é deixar o que já está e parar de consumir os produtos industriais, de forma a minimizar o problema, e isso seria fácil de se fazer e não precisa de doutos ecólogos para dar a receita. Basta pararmos de consumir da forma que consumimos... Gostaram da piada???

Não existe maneira de resolver a sustentabilidade do bioma que não passe pela drastiquíssima redução populacional brutal, ou seja, é aquela velha história dos ditames das pedras da Geórgia, reduzir para meio bi a população terrestre.
E isso implica que de cada 14 humanos só um vai sobreviver! E aí começa aquela briga inócua entre os defensores dessa questão e os discordantes...
Mas se deixarmos a população como está, não tem jeito, é detonação mesmo, afinal todos querem ter o que os outros têm, só que para isso, alguém tem que produzir. Mas como a massa é absolutamente embrutecida e emburrecida, as possibilidades alternativas, isto é, inventos diferentes que não impliquem em processos industriais onerosos, são impraticáveis, dessa forma, não há como mudar.

Para resumir a coisa toda, parafrasearei um antigo presidente do brasil: Ou a Terra acaba com a humanidade, ou a humanidade acaba com a Terra. Como vemos, somos muito mais nocivos que saúvas! Além de sermos menos ecológicos e recicláveis, pois pelo que comemos, o que sobra para a terra é só Mer'donalds. Isso sem pensar no silicone, no titânio, no chumbo, no mercúrio, no iôdo radioativo e em uma infinidade de incríveis materiais que os seres humanos tem o hábito de enfiar dentro, e das e nas formas mais bizarras.

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