Resetando do mea-culpa ao tem culpa eu


O processo evolutivo acontece independente de qualquer coisa.
A coisa funciona assim: Não se sabe quem veio primeiro, a presa ou o predador, mas sabe-se que cada presa existente obriga a existência de, pelo menos, um predador, assim como cada predador existente obriga a existência de, pelo menos, uma presa, isso mostra que um depende do outro sempre.
No momento que se desequilibra essa proposta, a evolução degringola, sem deixar de evoluir!
A evolução não para nunca, só muda o foco para o ponto de vista de uma das duas faces, a da vencedora, seja a predadora, seja a predada. Aos vencidos fica o consolo de que, crendo-se prendados e não dignamente prendados, fazem-se predados não só pelos predadores, mas predados sobretudo por eles mesmos, os predados, por crenças prendadas de prendas prendadas, todas predadoras e predadas!!
Assim, sem escolha, a evolução migra para outro viés, a evolução do predador vencedor. Esse personagem, vencedor da contenda anterior como predador, não se limitou à vitória sobre os predados, buscou ser independente do predado, entendeu que o predado era fraco e que qualquer coisa dele é fraca também, e que depender do predado é fraqueza.
O predador que dominou se coloca diante de predadores que o fizeram antes dele, os predadores da nova proposta, e só sobra ao ex-vitorioso predador correr para não perecer no primeiro assalto dos predadores, pois a evolução não para nunca e não vai dar uma segunda chance. A escolha é simples: é encarar a guerra e vencer ou ser submetido/eliminado/assimilado.
Qualquer outra ideia é demente e torna a existência comprometida e debilitada! Em qualquer mundo, só nos sobra a depuração, o refinamento, de forma a sermos sempre "lisos", "safos" o suficiente para sairmos incólumes de qualquer situação.
Com esse entendimento, fica muito difícil dizer que as conjunturas do mundo nos fazem isso ou aquilo, percebemos que só nós fazemos isso ou aquilo a nós mesmos, pois o jogo é claro, as opções mais claras ainda, só são duas, viver ou morrer!
Daí, fica muito difícil sair de santo da própria desgraça, da desgraça humana! Entendemos que santos não são os que de forma relapsa se permitiram em situação de risco, pois quem se expõe a situações de imponderabilidade por conta da ignorância é irresponsável, é burro, mas não é santo. Não confundamos inconsequência, egoísmo e burrice com inocência.
Nessas situações, esses insights óbvios de nossas abjetices intrínsecas nos levam a olhar no espelho com lente de aumento, e os defeitos acabam que se fazem visíveis!
Em uma hora dessas, lembramos que aqueles semblantes nauseabundos que vemos dos governantes e governados não são menos ou mais nauseabundos do que nossa própria miséria! Se estivéssemos melhor que eles, eles sequer existiriam para nós, se existem, é sinal que de alguma forma, que nós próprios não enxergamos, eles são ipsis literis os ecos de nossas emanações para a totalidade, eles são o "karma" de agora da cagada de uma vida até então!
O juiz degenerado não é diferente de nossos julgamentos igualmente degenerados, quando decidimos, com desfaçatez, que "comeremos os docinhos com parcimônia para não prejudicar" ou que só uma latinha de cerveja não faz mal a ninguém ou que só essa pedida para os outros segurarem nossa posição na fila enquanto "fazemos algo importante" não vai prejudicar ninguém.
O parlamentar salafro não é pior do que nós e nossos "legislamentos" para com os que nos estão em posição de desvantagem, igual à que ficamos em relação aos dominantes do estado das coisas.
O presidente "interino" não é menos ou mais interino que cada cidadão no governar de sua existência, os cidadãos são tão interinos que até suas integridades eles entregam aos outros, desde mérdicos até polícias e professores, um verdadeiro golpe contra a própria responsabilidade. Todo mundo é interino em suas responsabilidades, todos não decidem nada, não significam nada em seus próprios governos, onde quem decide tudo sempre está por trás dos panos. E interinos não têm chance sequer de entender que, enquanto interinos, não são os mandatários oficiais e não oficiosos e tampouco ociosos, mas ciosos e sãos...
Insanos estão em acreditar nisso!

Tudo é sempre delegado à responsabilidade de outro, os juízes culpam as leis e os processos, os legisladores culpam os julgadores e verdugos, os executores culpam as leis e os julgadores delas, e, claro, o povo inteiro culpa o governo por suas mazelas! E todos, dos governantes aos governados, todos vão descansar, esperando que o predador seja mais manso amanhã e que as presas sejam mais fáceis, e todos, sem culpa por conta da lei, lei de deus, vão dormir com a tranquilidade de pôncio pilatos, sem perceberem que, todos pirados, são pilados pelo pilão que adentra o botão!
Quando desejamos a morte mil vezes dos lixos que parasitam esta nação, os vermes que governam esta nação, estamos na verdade desejando que morra em nós tudo que esses degenerados significam, afinal, eles só existem porque existe em nós esse tipo de figura, são o reflexo da degeneração, é impossível ver o que é incongruente com nossa cognição, logo, toda a degeneração deles é nossa também!

Não culpemos nem as crianças nem as feras, elas, assim como nós e deus (e o deus dele também), não sabem que só o que fazem é cagada!
Mea-culpa, tem culpa eu, ou têm culpa todos?
Assumir essa questão nos lembra que a cagada é grande e não vai faltar faxina! E tampouco cagada!
Mas pelo menos a galera vai descobrir para que serve o cu em vez de cagar pela cabeça e achar que é pensamento, é lei, é julgamento, é lógico e é para todos!
Meu voto é pelo "têm cu p'a todos"!
Liguem os ventiladores e saiam de perto!

P.S.— Se alguém saiu de perto, mas na direção do vento soprado, minha sugestão é que não sinta culpa, continue aí, está onde deve estar!

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