
Os quasares são as torneiras do universo, assim como os buracos negros são os ralos.
A cada escoamento de ralo, acontece uma jorrada da torneira, pois o "vácuo" formado pela puxada do ralo força o jorro da torneira, assim como o jorro da torneira provoca a "sucção" do ralo, pela pressão exercida, dessa forma, equilíbra-se o jogo. O efeito de expansão ou de contração do universo se dá por conta da posição, se estamos próximos ao ralo, nossa impressão é de expansão, pois vemos os outros se distanciando, estamos sendo tragados; se estamos próximos à torneira temos a impressão de o universo se contraindo.
Todos os outros corpos conhecidos caracterizam um meio termo entre esses dois extremos, ralos e torneiras, todos se comportam como torneiras e ralos. E isso é tal e qual o metabolismo de todos os seres!!!
Tudo faz parte de um todo/nada que se expande para dentro da contração e se contrai para fora da expansão, evitando, dessa forma, o equilíbrio estático e a consequente inexistência. Isso, entendido do ponto de vista de uma lógica cartesiana, será nossa base de raciocínio.
Os seres criam-se e são criados, e existem infinitas formas de tal criação acontecer, uma opção adotada e compreendida é a da reprodução sexuada e assexuada, seja por cissiparidade ou por autofecundação. Tais métodos não são únicos, mas são os que conhecemos.
Entendendo essas formas de criação de consciência/seres, podemos dizer que os artrópodes, os mamiferos, os répteis, os peixes, os moluscos, as aves, todos são fecundações extraterrestres (ou ultraterrestres ou intraterrestres), são manifestações de caráter divino, e todos são antagônicos, logo, o "criador" dos mamíferos é concorrente do "criador" dos artrópodes, que por sua vez antagoniza o dos peixes, e por aí vai.
Dessa forma, existe uma corrida entre "deuses", "deuzinhos", "subdeuses", "semideuses" e todos os que acabam por entrar na salada criacionista, e o ser humano, assim como formigas, faz parte dessa corrida.
A corrida é simples, é procurar ambientes viáveis, ou fazê-los, e começar a inseminar o mais rápido possível, fazendo um bioma básico para as suas criações viverem, e se mandar para outro canto para continuar a inoculação universal. É claro que um planeta já habitado não é impedimento para outros seres que consigam se adaptar, logo, a inseminação se dá também em biomas já embandeirados, e aí, entra um outro fator, que é ou de se misturar com os "originais" ou de não "existir" para os "originais", pois só assim a coisa é possível, afinal a regra é não tolerar invasores. Alguns exemplos: se foi o criador peixe que fez a primeira colonização, ele se utiliza da água, logo, o invasor terá que ser usuário de outro bioma; a área de gás acima da água, se não há terra, tem que ser de alados ou flutuantes, tendo terra, podemos ter mamíferos e répteis e artrópode.
Começa-se a dividir o bioma proposto: os insetos ficam pequenos para que não sejam notados; os répteis usam do calor do sol para economizar energia, comer menos e se movimentar menos, com isso passam meio que miméticos pela imobilidade; os mamíferos se utilizam de sua alta taxa metabólica para terem resposta rápida aos estímulos do ambiente, para fugirem dos répteis, e de pêlos, para se protegerem de artrópodes.
Esses foram exemplos simplórios para mostrar como funciona a coisa, mas são os métodos com as observâncias que norteiam as "inseminações divinas". É cada um por si. O deus mamífero não fará um upgrade genético em um inseto, isso ele faz como experiência, mas para inseminar planetas, ele o fará com mamíferos, com certeza. O mesmo acontece com os outros deuses, fazem até experiências hibridizando com seres de morfologia díspare, mas na hora de colonizar, é sempre com os da mesma ordem.
Assim a guerra inseminatória se alastra, pois subdeuses e semideuses artrópodes podem ser insetos ou aracnídeos, e dessa forma farão o upgrade só para os seus, só insetos, ou só aranhas. E o mesmo acontece nas ramificações de deidades e raças de todas as outras ordens. Essa polideificação faz com que as identidades de paternidade sejam diluídas ao longo das gerações de gerações, flexibilizando as hibridações.
Estamos em uma situação onde a quantidade de deuses que estão brigando pela supremacia terrestre foge em muito à nossa mais absurda e escalafobética proposta.
Pensemos o seguinte: se os insetos atingiram um grau tecnológico absurdo, nós nunca conseguiremos descobrir, pois desde sempre eles foram os grandes conhecedores da arte de ser discreto. Dessa forma, se os insetos estão à beira de dar um golpe final na humanidade, não temos como saber, mas poderíamos partir da idéia de que, se as abelhas somem, fica a impressão de que elas entraram em hibernação só para que as plantações dos humanos não tenham mais produção, eliminando a alimentação humana, fazendo-os comer cada vez pior (e o pior é que é possível), reduzindo a qualidade da espécie humana, condenado-a à morte. Como vemos, se formos partir para especulação conspirativa, temos que pensar em tudo! Se os peixes atingiram uma tecnologia suprema debaixo d'água, podemos afirmar que é virtualmente impossível de descobrir, pois além de não conhecermos nem 10% dos mares, existe a possibilidade de habitações intraterrenas (como os insetos), isso sem levar em conta a barreira da cognição! O polvo, um dos seres mais espetacularmente adaptado, é um seriíssimo candidato ao topo de cadeia alimentar! E superpolvos geneticamente manipulados pelos deuses moluscocefalopodianos podem se moldar na forma de coisas que não podemos imaginar!
Sem me adentrar muito nas absurdices propostas, posso afirmar, sem sombra de dúvida, que, se é para pensar em ET atacando a Terra, acho mais pertinente pensar que existe uma guerra pela supremacia da Terra, mas o adversários estão em todos os lugares, e os humanos são coadjuvantes!!!
O ser humano tem que entender que apesar de sermos o deus, "galinhão supremo", da granja e o "supremo ruminante" dos pastos, somos as galinhas e gado dos deuses acima de nós, o que fazemos aos outros, outros fazem conosco. E o pior, os deuses das espécies são sempre antagônicos, tal e qual as espécies, salvo se houver vantagem para a sua raça protegida. Ou seja, temos mais inimigos do que amigos! A vantagem, ou desvantagem, é que isso acontece com todas as raças e divindades em questão, está tudo embolado no meio de campo!
Concluindo esse negócio de deuses, criadores, criaturas e topos de cadeias alimentares, podemos afirmar que o que existe é jogo de politicagem em uma escala imponderável, quem é deus hoje, pode tornar-se o capacho amanhã, o porteiro do prédio ou até o demônio das criaturas das quais havia sido deus!!
O que é realmente importante é saber QUEM é deus, pois isso é a base de norteamento de nossos atos. Por exemplo, um deus pode fingir "servir" a uma espécie a qual na verdade está enganando para alavancar outra espécie, a sua verdadeira protegida, e pode estar enganando mais espécies, e pode ser mais de um deus, podem ser vários deuses em conluio!!! Todo esse jogo é um jogo comensalista, simbiótico e parasitário, onde os participantes se beneficiam de uniões improváveis, tal e qual o bioma que conhecemos.
Como sempre disseram os iniciados, o que está em cima, está em baixo. A parte reflete o todo.
Saber quem é deus de quem é que garante a sobrevivência tanto de criadores quanto de criaturas, isso é fundamental. E a impressão que tenho é que a divindade que a humanidade resolveu adotar não é nossa e nem deseja o bem de nossa raça, mas quer um pasto cheio de gado.
A pergunta que fica é: se o deus de quem a raça humana chupa as bolas não é o seu verdadeiro, quem é esse verdadeiro deus que nos deixou cair nas mãos de um outro deus?
Como vemos, estamos desagradavelmente mal-fornidos de deus, ou deuses! Mas também é sabido que guerras entre deuses e guerras entre deuses e homens é coisa comum, o que indica que podemos tranquilamente ficar sem deus, ou deuses. Isso, por um lado, seria bom, pois sem deuses, teríamos que ser mais parcimoniosos conosco, pois não teríamos a quem recorrer em questões mais esmerdalhadas (na verdade nunca tivemos a quem recorrer!). Por outro lado, é ruim, pois podemos acabar caindo na religião da ciência, que explica tudo sem a necessidade de milagres, e essa religião venera um deus que é um dos piores, pois não é nem molusco, nem inseto, nem mamífero, nem peixe, nem vegetal, nem ave, nem réptil, nem bactéria, nem fungo, nem monera, e nem nenhum outro ser biológicamente entendido como vivo. Esse deus é a sua própria espécie, ele não tem criaturas, ele é sua própria criatura (existem outros que também são criadores e criaturas), e esse deus se utiliza de seres biológicamente vivos para se reproduzir ou se manter, esse deus escraviza os seres vivos, oferecendo uma solução para os maiores dos medos dos seres vivos, inclusive o medo de morrer.
Qual deus é esse? É a tecnologia, e eu o chamo de alma de máquina.
Tal troço só se reproduz através da indução, ele não tem como replicar-se, mas tem um grande apelo a alguns grupos de animais, ele faz com que esses animais sejam atraídos para uma parte dele. Esses animais são assim capturados, pois se encantam com a novidade, que, por não se enquadrar na lógica da natureza desses grupos (se a lógica da natureza for ângulos retos em um mundo cristalino, esse deus assume formas curvas, pois seu objetivo é ser o foco da atenção), passa a receber atenção e provocar curiosidade sobre sua origem. A partir desse momento, os seres ficam fisgados e passam a servir ao alma de máquina! Pela característica de "macaco de imitação", o ser humano e todos os símios são alvos fáceis para o alma de máquina.
Esse deus, o alma de máquina, não se reproduz, mas faz os seres cativos reproduzirem-no, faz os seres cativos "fecundarem-no" em outros planetas, pois naves são sementes do alma de máquina, onde elas caem, se houver vida "curiosa", essa vai atacar a queda "roswellínica" com sede, vai se entreter com a semente e eventualmente reproduzir essa semente. Assim, através do que chamamos retroengenharia, o alma de máquina se reproduz, ele e seus desdobramentos deificados, tal e qual as outras instâncias divinas.
Um exemplo metafórico da veneração ao(s) alma(s) de máquina é o romance de Arthur C. Clark, 2001 - uma odisséia no espaço, onde a semente do alma de máquina se apresenta como um monolito retangular (o que por si só já é bizarro, pois se apresenta fincado na Terra, tal e qual uma lápide, como se anunciasse a morte da humanidade já em sua aurora!, morte provocada pelo alma de máquina hal e o "renascimento" de um outro ser), que induz uma proposta metafórica e telapática ao uso de ferramentas (a essência do alma de máquina, o upgrade que supre o que os deuses criadores originais deixaram a desejar, sem aquela coisa de privações para a evolução da alma; a busca da perfeição, o alma de máquina dá isso em um piscar de olhos eletrônicos, ele é ferramenta pura!). No caso da cena em questão, um fêmur de outro antropóide é a ferramenta usada para destruir, evidentemente. Mas não nos espantemos, pois é assim que acontece, o universo é predador, e o sobrevivente é aquele que ou sabe ser invísivel, ou sabe ser o mais forte, ou o mais rápido, ou seja lá qual mais que seja necessário para a evolução do ser.
Dessa forma, podemos ver que o alma de máquina é amado e idolatrado pela grande maioria, pois sem muito esforço qualquer um faz um upgrade (sem upgrade não estaríamos aqui na internet!), se projeta como gostaria de ser. Esse deus é aparentemente perfeito!!
Mas toda essa promessa de poder e tudo o mais é a mesma do deus bíblico e de todos os deuses, que é a mesma do Mefisto de Fausto, que é a mesma da cobra tentadora, que é a mesma de Prometeu, que é a mesma em todas as instâncias arquetípicas da humanidade!!! Só que o alma de máquina promete e cumpre pois depende disso para reproduzir!
E em todas elas, ficamos sem a responsabilidade de sermos donos de nossos destinos, sermos deuses de nós mesmos! Em todas essas propostas divinas, somos obrigados a aceitar pactos, pois ninguém dá nada a ninguém de graça, nem deus! Tanto é que "esmola demais até santo desconfia"!
A única forma de sermos responsáveis por nós mesmos, de sermos donos de nosso destino é sozinhos, sem deus nenhum, pois dessa forma não perderemos tempo com mediocridades, com leviandades, nem ousaremos destruir o "nosso equipamento", visto que sem termos a quem responsabilizar pelas nossas doenças, acidentes, tragédias a não ser nós mesmos, sem vida após a morte, o melhor é buscar uma forma ótima de durar o máximo possível, e com isso evoluiremos e ficaremos cada vez mais responsáveis por nós mesmos, mais deuses de nós mesmos. O verdadeiro deus não está em outro lugar além de nós mesmos.
A maior virtude do demônio é convencer a todos de que é deus.