Vou iniciar essa resetagem com um "provérbio" de pescador:
"Quando o peixe nos come, ele é tubarão, quando nós comemos o peixe, ele é cação."
Abri com esse "provérbio" para trazer ao assunto a questão metafórica do nome, a questão do fetiche que, de tão grande, acaba por criar novos nomes para coisas que já tinham nome. Cito alguns exemplos:
1. Defunto ou cadáver (já tinha dois nomes) viraram maminha, alcatra, filé e outros nomes que apenas descrevem detalhes do tal defunto, o que, no meu entender, já é meio macabro esse negócio de querer minimizar o macabro.
2. Abortados de mães assassinadas viraram caviar, que ainda é tido como o fino da bossa alimentar.
3. Campo de concentração virou fazenda de gado ou granja ou pocilga ou...
4. Genocídio virou abate industrial.
5. Tortura virou procedimento para melhorar a carne, exemplo: fígado de assassinado por tortura de empanturramento virou foie gras.
6. Sadismo virou ciência de produção.
7. E claro, o enriquecimento por conta da miséria alheia virou agrobusiness, tem outros nomes, mas vamos nos ater a esse!!!!
E o mais cínico de todos.
8. Carnivorismo, que na verdade é necrofagia, pois o ser humano não come carne viva, come cadáver, defunto, salvo os comedores de sushi, se só comerem sushi. Assim para que não sejam comparados a urubus e hienas, o ser humano, do alto de sua hipocrisia, se diz carnívoro!!!
E tudo graças a ideia errônea que o ser humano tem do que é comida.
Vamos às causas.
É comum "superdotados" afirmarem que o ser humano começou a comer carne na era glacial, mas esses mesmos "superdotados" são os que afirmam que o ser humano, no passado, vivia em cavernas. Ou seja, apesar de gorilas fazerem todas as noites suas cabanas de folhas sobre as árvores, apesar dos joões-de-barro fazerem suas casas - e ensinarem isso, por sinal e não preciso citar os insetos tipos como seres inferiores mas que fazem colmeias e casas tão fortes, como os cupins e tão inacessíveis como as formigas, que seria por demais odioso cita-los, mas apesar de TODOS os animais fazerem suas moradias, o ser humano, esse ser estúpido que acabou por se tornar o "topo da cadeia alimentar", não sabia construir, fazer sua habitação, e precisava morar em cavernas!!!! Eu acredito que tais seres humanos eram os antepassados dos retardados doutores arqueologos!
Como vemos, a incongruência teórica torna duvidoso que o ser humano tenha começado a comer carne na era glacial, e a razão é simples: a era glacial é uma proposição feita em cima de resíduos depostos e em cima de extratificações em diversas camadas. Ou seja, é uma suposição que não pode ser entendida de forma absoluta, pois não há maneiras de auferir tal evento em todos os locais, quer dizer, pode ser que tal evento tenha se dado de outra forma, pois analogia não gera certeza, apenas gera indícios.
Agora lembremos que, no passado, o ser humano era nômade, pois não plantava - a questão da caverna era evidentemente ritualística, pois caverna é uma interiorização em mistérios inimágináveis e, o mais evidente, é uma representação da fêmea, é a volta ao útero, à segurança e ao conforto.
Entendendo a questão sincrética das cavernas, fica claro entender que todas as cenas pintadas tinham um caráter ritual. Caçadas que são vistas como normais para humanos atuais, naquela época eram algo como vencer a concorrência por ambiente e alimento, dominando verdadeiros monstros na mão livre - imaginem um grupo de humanos tentando impedir um bando de mastodontes, urrando de fome, e encontrando as tenras plantações -plantadas acidentalmente com o cair de sementes ao comer e manusear o alimento e também por conta das sementes defecadas. Daí entendemos que a caçada era um combate de perfil épico, que tinha como objetivo a conquista do espaço, do alimento e também a conquista do poder, de vencer um ser muito maior e mais perigoso. Evidentemente, isso levou à idéia de que comer a carne faria com que as forças e virtudes dos animais fossem repassadas (canibalismo ritual segue essa linha) e, naturalmente, os caçadores, ali mesmo, comiam ou bebiam parte da caça - mesmo que de sabor desagradável, dava um novo impulso, o da violência, o da ferocidade.
Então, o homem deixou de fugir dos predadores para enfrentá-los, começou a vestir a pele dos animais (pela mesma razão de emulação das virtudes animais) e começou a levar a carne para as crias e as fêmeas, mas o sabor dessa carne já fria era por demais desagradável, logo precisava de alguma adequação, pois depois de tanto trabalho para deslocar a caça, essa teria que ter uma serventia. Aí apareceu o que entendemos como culinária, que é nada mais do que fazer coisas incomíveis virarem comida!!!
Mas vale lembrar que antes do ser humano comer a tal carne, ele era herbívoro (compare sua dentição com a de um herbívoro e a de um carnívoro - por exemplo, nossos dentes se parecem mais com os de um cavalo ou com os de um cachorro?) e, acredito, houve uma "rebelião dos machos" - e essa teria sido a principal causa do carnivorismo, vamos a ela:
É evidente que a fêmea sempre soube a causa da gravidez, mas o macho nunca soube, salvo pelo "estranho" cheiro parecido com o seu em um filhote qualquer. Assim, é evidente que a fêmea era elevada ao máximo por conta de sua condição mágica de reprodução. E provavelmente nessa época, quando as fêmeas ficavam grávidas (sempre juntas, na mesma época, tal e qual os animais que têm tempo certo de parir, que é, via de regra, próximo à primavera - pela abundância alimentar e clima ameno), elas começavam a procurar um local propício, onde se instalavam, tornando-o um núcleo habitacional provisório.
Com o nascimento das sementes dos alimentos - transportadas e disseminadas através dos novos residentes temporários -, os humanos acabavam transformando a habitação provisória em permanente devido à abundância de alimentos e, de forma fortuita, as plantações começaram a surgir. Com isso, começou a aparecer o que chamamos de tempo livre, pois não se precisava mais correr atrás dos alimentos e, aí, o macho começou a fuçar de forma constante as fêmeas, que só aceitavam ser montadas no cio. Mas, de tanto ter que "enxotar" o macho, elas acabaram triangulando um fato notável: se machos são dispostos a competir entre si e se matar pela "perseguida", então eles farão qualquer outra coisa para tê-la - até mesmo criar a prole junto com a fêmea. É o clássico contrato "troco o seu prazer sexual pelo meu conforto pessoal e de minha prole". Foi então que a fêmea humana começou a dar fora do cio.
O preço disso foi muito alto, pois morreram quase todas as mulheres infectadas por toda sorte de imundícies, visto que não tinham a lubrificação sem cio, e os atos foram "a seco". O resultado: muita xoxota esfolada e adoecida e, claro, só as que conseguiam se lubrificar ou que já tinham uma lubrificação "crônica" sobreviveram, pois não foram contaminadas por feridas nos genitais (isso explicaria a tal história de que toda a humanidade teria se originado de apenas seis Evas).
Conclusão: a fêmea virou artigo mais do que de luxo, virou a única chance de sobrevivência da raça e, então, elas - já "pegadoras" - começaram um reinado poliândrico, devido à abundância de alimentos (plantações), onde puderam reproduzir com segurança.
Com o tempo, isso começou a mudar, pois as mulheres pariam mais mulheres que, por serem mais resistentes, sobreviviam mais também. Isso deve ser entendido como um pequeno grupo de seres humanos (terei que resetar isso futuramente), logo foi relativamente fácil atingir a taxa normal de fêmeas em um curto período.
Nesse momento, já com o sexo lúdico (já virou uma comunidade) e uma vida de "conforto" garantida pela gestão feminina baseada na geração, ou seja, abundância, aconteceu o esperado, outros animais começaram a atacar as platações, e eram manadas de animais!
A única solução, porrada!!! E combates desse porte e com as armas da época eram épicos dignos de figurar em todas pictografias ritualistas. Só que nessas caçadas, muitas vezes, a presa enorme (um mastodonte, por exemplo) caia morta em meio à plantação, e aí destruía tudo, pois estragava a terra e essa parava de produzir (além de atrair predadores). A solução encontrada foi tirar a carne, o que era muito trabalhoso e nada rendia, a não ser... que se comesse a carne (volta aquela idéia de se absorver a qualidade do ser comido)!!! Nesse momento, o macho começou a se rebelar - com base na nova proposta de "cardápio", o homem buscou o poder que a plantação havia dado à mulher. Foi mais ou menos dizer "você garante o feijão, mas eu garanto o filé mignon".
Uniu-se o útil (desocupar e limpar o campo) ao agradável (arrumar alguma serventia para algo aparentemente inútil), e dessa forma começamos a comer carne. Não se pode entender que o comer carne virou hábito, mas passou a ser uma possibilidade, aumentou o cardápio. Acredito também que existem influências externas que levaram a humanidade a ingerir carne, que deixamos para frente essa explicação.
Pelo caráter mesquinho do ser humano, continuamos a comer carne mesmo depois de não precisarmos mais. Isso foi um processo em pequena escala, pois comer a carne para um herbívoro é muito nojento, é muito imundo (e falo por que nunca comi esse troço). Assim, esses herbívoros que começaram a comer carne já tinham alguma patologia, que creio ter sido uma ancestral da sífilis, que levou a humanidade a uma loucura, tal sífilis seria inclusive explicada pela prática sexual sem lubrificação. Lembro que o mal da vaca louca foi causado porque as vacas acometidas eram alimentadas com ração que continha carne. Logo já somos "vacas loucas" desde que começamos a comer carne.
Agregado a tudo isso, temos a religião, onde o tal deus diz para o povo judeu que se tem que matar três codornizes todos os dias, de manhã, de tarde e de noite, e mais um tanto de cabras e sabe-se lá mais quantos holocaustos por dia, pois "o cheiro e aspecto de carne queimada é agradável ao senhor".
Aí entro onde é o cerne da questão, o porquê.
A carne estupidifica o ser, o ser fica bestial, a cadaverina provoca um envenenamento que gera violência, o próprio ato de matar animais embrutece o ser, faz com que o ser perca o respeito pela vida, perca a admiração pelo milagre da vida, e isso é tão forte que qualquer assassino diz que é fácil ficar "viciado" em matar!
Entendendo que as maiores indústrias do planeta são a bélica e a de fármacos, fica claro que houve uma manipulação subliminar para levar a humanidade ao carnivorismo.
Com base na conclusão de Confúcio de que "somos o que comemos", se a humanidade comesse corretamente, ela nunca iria adoecer, logo só veneno garantiria os remédios em alta. Nos envenenando lentamente cada vez mais, atendemos à agenda das indústrias, quanto mais carne, mais cadaverina, e mais violência latente e mais guerras, e mais doenças, e mais guerras e mais doenças e mais guerras e... Consegue-se entender agora o porquê da alimentação carnívora?
Quem come morte, se alimenta de morte, e cria, reproduz e espalha a morte; quem come vida, se alimenta de vida, e cria, reproduz e espalha a vida.
Quando se mata um animal, é menos um para distribuir os alimentos vegetais pelo mundo, além, é claro, de o ser morto e seus queridos desejarem a mais brutal sina para o algoz! Enquanto, quando se come uma fruta - com caroço, é claro! - (pode-se entender de forma metafórica e romântica que comer uma fruta é um ato sexual com a árvore, se a semente germinar é sinal que a árvore gozou!), se "engravida" da fruta para se dar "à luz" em algum lugar, disseminando a espécie da árvore, que, sentindo isso, desejará uma longa vida àquele que contribuiu para a disseminação e longevidade para sua espécie e pode ser visto como "bom de cama". Vida longa aos vegetarianos, pois eles se alimentam de vida!
Finalizo com frase de Voltaire, de seu livro A Princesa da Babilônia, que ilustra de forma absoluta o que digo:
"Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo e adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre cemitérios."
Ainda em tempo, o maior gênio da humanidade era vegetariano, Leonardo da Vinci.